A história da maconha no Brasil tem seu início com a própria descoberta do país. A maconha é uma planta exótica, ou seja, não é natural do Brasil. Ao que tudo indica, o cânhamo ou fumo-de-Angola fora trazido pro Brasil pelos negros africanos na época da escravatura. Segundo Gilberto Freyre, as primeiras sementes seriam trazidas nas tangas dos escravos.
"...o próprio termo 'maconha' não seria originário do Brasil, e sim uma combinação das palavras 'maconia' e 'makiak', encontradas na África ocidental.Outros nomes, utilizados principalmente no norte e nordeste brasileiros, apontam também para expressões oriundas da África, como pango, riamba, diamba, cangonha, entre outras palavras.
As palavras maconha e cânhamo são um anagrama, isto é, possuem as mesmas letras e formações distintas". O seu uso disseminou-se rapidamente entre os negros escravos e nossos índios, que passaram a cultivá-la.
Séculos mais tarde, com a popularização da planta entre intelectuais franceses e médicos ingleses do exército imperial na Índia, ela passou a ser considerada em nosso meio um excelente medicamento indicado para muitos males.
A demonização da maconha no Brasil iniciou-se na década de 1920 e, na II Conferência Internacional do Ópio, em 1924, em Genebra, o delegado brasileiro Dr. Pernambuco afirmou para as delegações de 45 outros países: "a maconha é mais perigosa que o ópio".
Apesar das tentativas anteriores, no século XIX e princípios do século XX, a perseguição policial aos usuários de maconha somente se fez constante e enérgica a partir da década de 1930, possivelmente como resultante da decisão da II Conferência Internacional do Ópio.
O primeiro levantamento domiciliar brasileiro sobre consumo de psicotrópicos, realizado em 2001, mostrou que 6,7% da população consultada já havia experimentado maconha pelo menos uma vez na vida (lifetime use), o que significa dizer que alguns milhões de brasileiros poderiam ser acusados e condenados à prisão por tal ofensa à presente lei.
No presente, um projeto de lei foi aprovado no Congresso Nacional propondo a transformação da pena de reclusão por uso/posse de drogas (inclusive maconha) em medidas administrativas.
O conhecimento e a utilização da planta da maconha, o cânhamo, vem desde épocas imemoriais até os nossos dias. A sua origem se perde nos tempos, mas a sua história se reconstrói através dos traços que deixaram as impressões e os atos dos homens do passado em documentos que hoje estão conservados em arquivos, bibliotecas e museus.
No séc. XI havia grupos de homens, no Norte da Pérsia, que eram conhecidos por sua extrema crueldade e pelas contínuas vitórias que obtinham. Estes grupos agiam intoxicados pelo haxixe, e sempre, espalhavam sua violência. Devido ao vício, foram chamados "Haschichins", donde surgiu a expressão francesa "assassin", e o termo português "assassino".
A maconha já era conhecida há pelo menos 10.000 anos, sendo utilizada com fins medicinais, ou "para produzir risos".
O mais antigo documento de que se tem notícia, relativo ao cânhamo, é um manuscrito chinês do século XV a. C., intitulado RH-YA, que descreve a planta, sob a denominação de "MO", assinalad oa existência de duas espécies, uma que produz frutos (feminina) e oura que só dá flores (masculina).
As propriedades têxteis da Cannabis sativa fizeram com que sua fibra fosse muito aproveitada pelos romanos e gregos na fabricação de tecidos e papel.
O cultivo da planta foi difundido pelo Oriente Médio, Europa e outras regiões da Ásia. Na renascença, a maconha era um dos principais produtos da Europa; os livros de Johannes Gutemberg, o inventor da imprensa, eram feitos de papel de cânhamo.
A maconha foi levada para a África e para a América pelos europeus. Na América do Sul, as primeiras plantações da Cannabis sativa foram feitas no Chile, pelos espanhóis.
No final do século XIX, a planta já era utilizada como psicotrópico por artistas e escritores, no entanto, ainda era considerada um medicamento, sendo usada por muitos laboratórios farmacêuticos. A partir dos anos 60, o consumo da maconha como entorpecente passou a ser feito de forma crescente, entre pessoas de todas as classes sociais. Atualmente, a maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo: das 200 milhões de pessoas que consomem algum tipo de substância psicoativa ilícita, 160 milhões consomem a droga.

Nenhum comentário:
Postar um comentário