segunda-feira, 21 de junho de 2010
Propriedades Bioquímicas da Maconha
O principal componente efetivo da droga é o TetraHidroCanabinol, conhecido como THC.
Sua ação se deve à ligação que ele estabelece com receptores canabinóides presentes em diversas áreas do cérebro. Esses receptores tem importância em diversos processos no organismo, como a ansiedade, dor, metabolismo, controle do sistema imunitário e o crescimento ósseo.
A duração dos efeitos varia conforme o método de uso da droga. No caso da maconha, o mais freqüente é o uso por inalação.
FARMACOCINÉTICA DO THC
Ao ser inalado o THC atravessa os alvéolos pulmonares, atinge a circulação e chega ao cérebro em poucos minutos.
Na circulação, os níveis de THC diminuem rapidamente em virtude da sua metabolização pelo fígado. Após esse processo, ele se acumula de preferência nos tecidos adiposos graças a sua lipofilia. Esse processo de acúmulo tem seu pico em 4 dias aproximadamente, quando começará a ser lentamente liberado, atingindo órgãos como o cérebro.
Chegando ao cérebro, o THC será distribuído de diferentes formas, se concentrando principalmente nas regiões neocortical, sensorial, motora e límbica.
No fígado, é metabolizado por uma grande quantidade de enzimas diferentes, podendo ser substrato até mesmo da álcool-desidrogenase (enzima que metaboliza o álcool).
O fígado então liberará a substância no intestino, para sua eliminação. No intestino pode ocorrer a reabsorção da substância pela circulação entero-hepática, o que prolongará a ação do THC, fazendo-o permanecer no organismo por mais tempo.
20% do THC eliminado pelo organismo sai junto com a urina, enquanto os outros 80% é liberado em conjunto com as fezes.
INTERAÇÃO FARMACOLÓGICA DO THC
O THC pode ainda reforçar a ação sedativa de diversas substâncias como o álcool, remédios anticonvulsivantes, relaxantes musculares e muitos outros, podendo trazer sérias conseqüências aos usuários dessas substâncias.
domingo, 20 de junho de 2010
HISTÓRIA
A história da maconha no Brasil tem seu início com a própria descoberta do país. A maconha é uma planta exótica, ou seja, não é natural do Brasil. Ao que tudo indica, o cânhamo ou fumo-de-Angola fora trazido pro Brasil pelos negros africanos na época da escravatura. Segundo Gilberto Freyre, as primeiras sementes seriam trazidas nas tangas dos escravos.
"...o próprio termo 'maconha' não seria originário do Brasil, e sim uma combinação das palavras 'maconia' e 'makiak', encontradas na África ocidental.Outros nomes, utilizados principalmente no norte e nordeste brasileiros, apontam também para expressões oriundas da África, como pango, riamba, diamba, cangonha, entre outras palavras.
As palavras maconha e cânhamo são um anagrama, isto é, possuem as mesmas letras e formações distintas". O seu uso disseminou-se rapidamente entre os negros escravos e nossos índios, que passaram a cultivá-la.
Séculos mais tarde, com a popularização da planta entre intelectuais franceses e médicos ingleses do exército imperial na Índia, ela passou a ser considerada em nosso meio um excelente medicamento indicado para muitos males.
A demonização da maconha no Brasil iniciou-se na década de 1920 e, na II Conferência Internacional do Ópio, em 1924, em Genebra, o delegado brasileiro Dr. Pernambuco afirmou para as delegações de 45 outros países: "a maconha é mais perigosa que o ópio".
Apesar das tentativas anteriores, no século XIX e princípios do século XX, a perseguição policial aos usuários de maconha somente se fez constante e enérgica a partir da década de 1930, possivelmente como resultante da decisão da II Conferência Internacional do Ópio.
O primeiro levantamento domiciliar brasileiro sobre consumo de psicotrópicos, realizado em 2001, mostrou que 6,7% da população consultada já havia experimentado maconha pelo menos uma vez na vida (lifetime use), o que significa dizer que alguns milhões de brasileiros poderiam ser acusados e condenados à prisão por tal ofensa à presente lei.
No presente, um projeto de lei foi aprovado no Congresso Nacional propondo a transformação da pena de reclusão por uso/posse de drogas (inclusive maconha) em medidas administrativas.
O conhecimento e a utilização da planta da maconha, o cânhamo, vem desde épocas imemoriais até os nossos dias. A sua origem se perde nos tempos, mas a sua história se reconstrói através dos traços que deixaram as impressões e os atos dos homens do passado em documentos que hoje estão conservados em arquivos, bibliotecas e museus.
No séc. XI havia grupos de homens, no Norte da Pérsia, que eram conhecidos por sua extrema crueldade e pelas contínuas vitórias que obtinham. Estes grupos agiam intoxicados pelo haxixe, e sempre, espalhavam sua violência. Devido ao vício, foram chamados "Haschichins", donde surgiu a expressão francesa "assassin", e o termo português "assassino".
A maconha já era conhecida há pelo menos 10.000 anos, sendo utilizada com fins medicinais, ou "para produzir risos".
O mais antigo documento de que se tem notícia, relativo ao cânhamo, é um manuscrito chinês do século XV a. C., intitulado RH-YA, que descreve a planta, sob a denominação de "MO", assinalad oa existência de duas espécies, uma que produz frutos (feminina) e oura que só dá flores (masculina).
As propriedades têxteis da Cannabis sativa fizeram com que sua fibra fosse muito aproveitada pelos romanos e gregos na fabricação de tecidos e papel.
O cultivo da planta foi difundido pelo Oriente Médio, Europa e outras regiões da Ásia. Na renascença, a maconha era um dos principais produtos da Europa; os livros de Johannes Gutemberg, o inventor da imprensa, eram feitos de papel de cânhamo.
A maconha foi levada para a África e para a América pelos europeus. Na América do Sul, as primeiras plantações da Cannabis sativa foram feitas no Chile, pelos espanhóis.
No final do século XIX, a planta já era utilizada como psicotrópico por artistas e escritores, no entanto, ainda era considerada um medicamento, sendo usada por muitos laboratórios farmacêuticos. A partir dos anos 60, o consumo da maconha como entorpecente passou a ser feito de forma crescente, entre pessoas de todas as classes sociais. Atualmente, a maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo: das 200 milhões de pessoas que consomem algum tipo de substância psicoativa ilícita, 160 milhões consomem a droga.
Ação Terapêutica do Uso da Maconha
O estudo foi baseado em conhecimentos científicos e populares, sendo validado por especialistas do assunto. Ele consiste em uma revisão sobre os mecanismos e locais de ação da droga, e também sua eficácia e suas falhas em uso terapêutico. A análise dos efeitos crônicos e agudos da maconha é devida a uma comparação com os efeitos adversos de medicamentos de uso padronizado.O projeto foi realizado pelo Institute of Medicine, tendo por autores os doutores Stanley J. Watson e John A. Benson, bem como a doutora Janet E. Joy. A sua publicação ocorreu na revista Archives of General Psychiatry, em junho de 2000.
*O papel da maconha na dor.
A realização de estudos, tanto em animais quanto em humanos, permitiu evidenciar um possível efeito analgésico importante do uso da maconha. Entretanto, ainda são necessárias mais investigações para determinar a magnitude e a duração de tal efeito, analisado nas diversas condições clínicas.
Até agora, os pacientes que poderiam ser beneficiados com um uso terapêutico da maconha são aqueles em uso quimioterápico, em pós-operatório, com trauma raquimedular (lesão da coluna vertebral com acometimento da medula), com neuropatia periférica, em fase pós-infarto cerebral e com AIDS, ou em qualquer outra condição de dor crônica.
A utilização da maconha em uso medicinal é defendida veemente por oncologistas e pacientes. Mesmo quando comparada com outros agentes, no caso de ter um efeito menor que os medicamentos já existentes, se seu uso for associado a outros antieméticos, os efeitos podem ser aumentados e a sua dosagem a pacientes quimioterápicos com náuseas e vômitos pode ser eficiente.
De maneira que afeta o movimento (em doses altas, causa inibição; em doses baixas, causa estimulação), a maconha pode auxiliar no controle do espasmo muscular, encontrado em esclerose múltipla e no trauma raquimedular. Contudo, acompanhada de uma análise cuidadosa quanto ao fato de atuar no controle da ansiedade, sintoma periférico destas doenças, e não, necessariamente, no espasmo. Também, no caso de pacientes da Doença de Parkinson, pode oferecer uma alternativa para o controle motor.
Para pacientes com glaucoma, doença para a qual o uso terapêutico da maconha é mais citado como indicação, o uso não encontra suporte nos dados existentes. A alta pressão intra-ocular, um dos fatores de risco, poderia ser diminuída com a utilização da erva, mas somente em doses altas e em curta duração. E, de maneira que altas dosagens da maconha causam muitos efeitos indesejáveis, assim como as medicações existentes têm apresentado bom resultado com efeitos colaterais mínimos, os autores pensam que para essa condição o uso não é indicado.
Em suma, os dados demonstram um uso terapêutico modesto, particularmente, no controle da dor, no alívio de náuseas e vômitos, e na estimulação do apetite. Os efeitos foram melhor estabelecidos para o THC, sendo que a maconha também é constituída por outros inúmeros componentes que ainda não foram testados.
As atuais análises não afastam, nem fornecem suporte, para a hipótese de que o uso medicinal da maconha poderia aumentar o uso ilícito da droga. Ao final do estudo supracitado, os autores concluíram que o futuro do uso terapêutico está associado com o desenvolvimento de substâncias puras, e não com o fumo da maconha.
Bibliografia - Fontes de Pesquisa
Fontes:
http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=1537
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI26753-15228,00-MACONHA+E+HORA+DE+LEGALIZAR.html
http://www.conversadepsicologo.com/2009/02/maconha-e-hora-de-legalizar/
Efeitos
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maconha#Efeitos_a_longo_prazo
http://www.antidrogas.com.br/resumo.php
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=3612 http://vivamaisunicamp.wordpress.com/2010/04/09/riscos-do-uso-da-maconha/ http://www.infoescola.com/drogas/maconha/
http://www.barueri.sp.gov.br/comad/drogas/DrogasEfeitos.htm http://www.ismaelsobrinho.com.br/?cat=22
http://www.ceunossasenhoradaconceicao.com.br/maconha/imagem.asp
Fontes:
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3677
http://reocities.com/Athens/Agora/9308/uso_medicinal_maconha.html
Legalização - Mundo
A legalização da maconha é um tema bastante polêmico, pela quantidade de interesses ocultos que existem por trás da mesma, sobretudo sociais e econômicos.
Como aspectos positivos, pode-se dar um grande destaque ao fim terapêutico da cannabis sativa. Analgesia, transtornos neurológicos e dos movimentos, náuseas e vômitos associadas a terapias oncológicas, glaucoma, falta de apetite, estresse e insônia são alguns dos exemplos em que foi comprovado o efeito positivo da droga. Quanto ao impacto sócio-econômico da legalização, a regulamentação do uso não resolve o problema do vicio, mas sim elimina o narcotráfico, que pode ajudar em certa medida a redução do problema do vicio, por duas razões: (1) os recursos que o governo utiliza para combater (sem resultados proporcionais) ao narcotráfico poderiam destinar-se a combater mais eficazmente, com prevenção e reabilitação dos viciados; (2) com o fim do narcotráfico, elimina-se uma importante fonte de oferta de drogas, que se encarrega de “fazer propaganda” do produto entre os mais desprotegidos da sociedade (crianças e jovens), com os quais os narcotraficantes fazem um esforço para “fisgá-los”.
Outras previsões que fortalecem o argumento a favor da legalização da maconha são bastante plausíveis. Menos pessoas morreriam no combate ao tráfico, centenas de bilhões gastos todo ano por governos do mundo todo com a repressão às drogas poderiam ser investidos em outras áreas, ocorreria uma provável redução da criminalidade e, também, um maior controle de qualidade das drogas, o que reduziria o número de mortes .
Em contrapartida, há também alguns pontos negativos. Os riscos do consumo da maconha não devem ser considerados apenas em função dos efeitos adversos agudos, senão também e, sobretudo nos efeitos de longo prazo em sujeitos com doenças crônicas, dadas os riscos de aparição de tolerância aos ditos efeitos terapêuticos. Fatores como a idade, o estado imune, e o desenvolvimento de doenças intercorrente ou concomitante deve ser considerado na determinação do risco. No âmbito biológico, o THC afeta as células do cérebro encarregadas da memória. Isto faz com que a pessoa tenha dificuldade em recordar eventos recentes (como os que se sucederam a minutos atrás), e dificulta o aprendizado quando da influencia da droga. Usuários crônicos de maconha apresentam déficits no aprendizado verbal e na memória recente e ainda não se sabe se essas alterações melhoram com o fim do uso. Quando usada na gravidez, a maconha tem efeitos no cérebro do feto que podem levar a alterações na vida adulta, inclusive a predisposição para o uso de maconha. Outro efeito indesejado da maconha é a psicose: existe relação entre o consumo de maconha e a incidência de esquizofrenia. E a incidência é maior quanto mais precoce for o consumo e mais longo for o consumo. Dependentes de maconha, quando em abstinência, apresentam uma síndrome de abstinência caracterizada por irritabilidade, ansiedade, depressão, calores repentinos, náuseas e diarréias.
Há também outros aspectos, como: a continuidade das violentas disputas entre traficantes pelo mercado de drogas, aumento no número de crimes cometidos para sustentar o vício e maiores gastos para o tratamento dos dependentes no sistema público de saúde.
O exemplo da Holanda
Sempre se cita a Holanda como exemplo de país em que a maconha é liberada. O que pouca gente sabe é que a maconha não é “liberada”. Na Holanda, não há pena para comprar até 5g/dia de maconha em coffee-shops, mas a produção e o consumo fora de coffee-shops são crimes.
Além de ser irresponsável comparar dois países de culturas diferentes, é importante pensar nos motivos que levaram à legalização na Holanda.
Lá, a legalização da maconha se deu para evitar uma epidemia no uso de heroína (que era oferecida por traficantes aos usuários que iam comprar a maconha). Os coffee-shops são fiscalizados e, caso vendam bebidas alcoólicas ou outras drogas, perdem a licença.
